Rua Sarmento Leite, 1086 | Cidade Baixa - Porto Alegre | Fone 51 3286.5612


     ator
 



A conquyista

Olhou por uma fresta da parede do velho barraco e não viu nada. O corpo adrenalizado. O trajeto por trás do morro, com o mato cerrado e as enormes pedras lisas dificultavam a subida. Parecia íngreme demais, impossível.

Mas como dizia o Víni:
– Impossível não existe, leva um tempo para se tornar possível.
Levou dois dias. Foi difícil. O lugar tava limpo. O puto tinha razão. Daria o golpe fatal como uma ave rapinêra.
O Vini precisava sabê!
Pegou o celular.
– Aí meu irmão! Adivinha onde eu to?
Víni respondeu:
– No topo! Foi a Mamãe que te deu coragem!

Víni é rico mas não é cagão, bate bem. O pai dele era político, agora tem uma frota de caminhões. O Vini só cheira pó, fuma maconha e toma bala. Mas gosta mesmo é de chupa pau de bandido.

Uma semana depois Ele reuniu todo o bando. Disse que ia tomá a boca do Mingau, Patrão do outro pico. Só não contou que o plano era do Víni.
Naquele dia apresentô Mamãe pro bando.
Foi uma festa!
Víni gritava – QUERO VÊ MAMÃE ARPEJÁ. Todo mundo doido. Víni tava realizado. E Ele apaixonado pela Mamãe. Poucos dias depois a primeira farra, carro forte, dois mortos. Então Ele me chamou.
– Toma – me deu três mil reais, Víni apareceu, eles se olharam, me deu um tapa na cara e falou – é pra tua mãe, que eu já tenho a minha - daquela dinheirama ele comprou só máquina boa, fudida mesmo, e deu pro bando. A coisa ia sê grossa, quieta, planejada. Daí choveu, muito. Achei que iam abortá. Na terça-feira, Ele mandou me chamá:
– Quantos anos tu tá?
– Treze.
– Tá bom. Tu já é home dus meu, do coração. Fica aqui com o Mijão e os primo dele. Nos vâmo fazê o que tem que sê feito. Pegá os puto tudo pelado e doido! Aqui tem o que você precisa – era uma caixa com armas e munição – toma conta.
O Víni tava muito loco dizendo “VAMO TOMÁ A PORRA DO MINGAU!”
Lembrei que o Mijão falou:
– Aquele puto, filhinho de papai do Víni, tá fazendo de tudo pra virá mulherzinha do cara. Qué se a rainha da boca, pau no cu.

Dito e feito. Subiu Ele, o Víni e mais treze home, levaram dois dias e uma noite. Chegaram, descansaram um pouco depois atacaram, foi moleza, apesar de tudo dançou o Pisca, Zé Gringo, o Sarará Catimba e Ele.
Com o Mingau e seus parceiro morto, o Víni e Ele ficaram sozinhos no barraco pros os outros darem uma geral. Quando, sem Ele percebê o Víni pegou a Mamãe e arpejou. Uma rajada e fudeu. Depois o Víni se deu como morto com um defunto de aluguel. Suicídio por afogamento. Saiu no jornal que no bolso do Víni tinha um papel escrito: “Os arpejos de mamãe me levaram ao suicídio”.

A mãe do Víni disse no jornal que ele era doente. Ela é pianista clássica. O pai disse que a juventude tá perdida.
Víni virou Vaní, virou mulher. Dona das duas boca. Eu sô o home dela agora. Eu sô home, só transo com mulher. Também tomo conta da Mamãe, uma metralhadora de ultima geração, do exército israelita, que o Víni tinha dado pra Ele, aquele veado! Ela me contô tudo. Eu sô o Bitu. E pra Vaní nada é impossível.

 

Beber no Zelig
antes de morrer?


É isso que sugere a publicação da Quatro Rodas que classificou o Zelig como um dos 101 bares obrigatórios de serem freqüentados antes de você partir desta para outra.

[ leia + ]
 

Clique para ler o texto
Comunidade Zelig no orkut Volta a página inicial